sábado, 22 de outubro de 2011

aldravos ou motivos pelos quais não escrevo mais

"Esse pedaço de carne não era ninguém importante, era o mais singelo e profundo. Não foi a boca amarga que eu soquei, nem o nariz crepitado que um dia me foi dado a quebrar. Esse pedaço foi morto, assim como o que tinha nele – sangue e veia – não pulsavam, mais, como deveriam. "


1. literatura pode ser feita na pior aleatoriedade, e é por isso que eu não escrevo mais. qualquer amontoado de palavras casuais pode se destacar na vista de uma pessoa livre como maravilhosa criação, assim como as pessoas argumentando teorias sobre os grandes autores numa sala de aula quando nem mesmo os autores se pronunciaram sobre seus feitos. 


2. o tempo passa e certas coisas tornam-se impalpáveis e tomando bem distância tudo parece mais bonito [exatamente quando não é o que deveria ser, ou o que lhe apraz a vista]. o mais sincero vem do feio, do nojento, pretensioso, do ridículo, tosco, horrendo, de tudo o que se compatibilize com o homem. 


3. não sei quando me transformaram num ser humano

2 reclamações:

  1. intenção, intencionalidade, teor-de-verdade.

    o que há num texto começa quando a intenção do autor acaba e quando a interpretação da palavra vista e revista não pode dizer mais nada.

    a questão é que mesmo um lapso autoral acaba sendo fonte de sentido, inevitavelmente, e é isso que é importante, mais do que o autor mesmo. a compreensão expressivista ou estética da criatividade são um episódio muito curto na história da literatura. quando se recua pra textos antigos, o próprio autor é apagado da dimensão real, já que os textos se limitam à transmissão popular...

    o que importa está além do texto mesmo.

    escreva, amiguinha, porque você não sabe, nem importa. por mais inintencional, pode haver sempre algo.

    beijoca

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  2. eu achei outra forma de dar vigor ao ego, basicamente isso. é natural, nem sei pq essa coisa de apontamentos sobre propósitos quando na realidade eles não são verdadeiros, por mais que anunciados aberta e sustentadamente.

    você deve saber, eu sinto irremediável necessidade de autoesmagamento em múltiplas conjecturas sobre a mesma causa (e também acho que isso seja natural). então, não há motivos para o aconselhamento (embora eu fique contente pela sua atenção) já que uma tarefa que antes me seduzia hoje me enoja e depois sabe deus o que.

    até nada é útil.

    eu não sei se escrever só é escrever se alguém souber. espero que sim.

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